trabalhos científicos

PIXO: A POÉTICA POLÍTICA DO RISCO – Ana Carolina Estrela da Costa

No Brasil, a pixação tem-se desenvolvido de modo expressivo, como arte política e marginal, desde os anos 70. Essencialmente contestador, incômodo, o pixo não só destrói: essa escrita inaugura uma visibilidade dos que a fazem, compondo a paisagem urbana. Pixadores são punidos como vândalos, formadores de “quadrilha”, e a lei e demais medidas alimentam a discriminação em torno deles (distinguindo a pixação do “graffite”, por exemplo, tratando uma como arte e outra como puro vandalismo). Examinamos aqui seu modo refinado de conhecer e percorrer o território da cidade, e suas formas de organização, que nada têm de quadrilhas criminosas, aproximando-se mais de reuniões artísticas. A partir da experiência etnográfica compartilhada com pixadores em Belo Horizonte e demais capitais, traçamos referências históricas, registramos estilos caligráficos e tipos de mensagens. Num processo de ampliação do olhar, percebe-se a elaboração sofisticada de um discurso que protesta – por meio do risco – contra o próprio Estado, levando às últimas consequências o questionamento do poder de polícia, da circulação da informação, do direito de ir-e-vir e da propriedade privada.
(p. 74)

caligrafia urbana – rodrigo amaro de carvalho

“O objetivo deste trabalho é analisar o fenômeno social da pichação em São Paulo a partir de suas formas de intervenção, das formas de sociabilidade estabelecidas pelos pichadores e da criminalização desta prática na mídia. O material de análise constitui-se no discurso dos pichadores em mídias alternativas, produzidas pelos próprios atores da escrita urbana, como revistas especializadas, sites de relacionamento, blogs e entrevistas, relacionando estes discursos com a análise de algumas imagens. Assim, contrapondo estes discursos, a partir de algumas categorias analíticas do interacionismo simbólico, com as opiniões veiculadas nas mídias hegemônicas, percebemos que tem prevalecido a criminalização de tal prática.”
Palavras-chave: Pichação, inscrição urbana, desvio social, mídia, criminalização.

Iconografias da metrópole: grafiteiros e pixadores representando o contemporâneo – Sergio Miguel Franco

“Esta pesquisa aborda a produção de grafite da década de 1970 aos anos 2000, e a pixação entre o seu surgimento (anos 1980) e a atualidade. Concernente ao grafite, o trabalho debruça-se sobre o gérmen da expressão na Nova Iorque da década de 1970 para chegar à metrópole de São Paulo. No que tange à pixação, circunscreve-a na metrópole de São Paulo por acreditar que seja endêmica deste espaço. Busca analisar as problemáticas que mobilizaram os agentes do campo da arte durante este período, e a consonância do grafite e da pixação com este âmbito mais vasto que àquele partilhado estritamente pelos interventores urbanos. Numa busca pelo nomos engendrador, esta dissertação apresenta os pressupostos técnicos, processuais e comportamentais formulados pelos integrantes do grafite e da pixação, e exigidos para que estas práticas sejam consideradas enquanto tais. Mas, diferente de um recorte restrito, investiga a comunhão subjacente entre ambas: tidas como distintas, porém praticadas, muitas vezes, pelo mesmo sujeito. Ao final conclui que, ao serem integradas, constituem um conjunto de experiências formativas relevantes para o artista que possui, na cidade, seu tema e suporte. Nossas análises desdobram-se em três grandes gerações de artistas. A Pioneira, que tem em Alex Vallauri o grande expoente; a Old School, mais encontrada com a gênese da expressão do grafite; e a New School, que acrescentou uma estilização abstrata às intervenções urbanas. Em cada uma destas gerações, pontuamos as obras e as biografias de alguns artistas, que permitem explorarmos as trajetórias, os estilos particulares e as regiões limítrofes desta produção artística. Nestas gerações de artistas, examinamos ainda, as lutas travadas no interior do campo, bem como os embates provenientes da participação de instituições não-governamentais, órgãos governamentais e galerias de arte, na assimilação e no rechaço da produção. No que diz respeito a estas relações, será analisada a presença da pixação nas Bienais de Arte de São Paulo (edições de 2002, 2004, 2006 e 2008), detendo-se na ambivalência, entre recusa e absorção, que existe sobre a prática.”

Fala Dereco Machado – artista de rua, artista gráfico e rapper integrante da banda Coletivo Dinamite

Seminário Etnocídio, Cultura e Universidade – Mesa Redonda: Disputas e reconfigurações no espaço público: experiências estéticas e políticas
promovido pelo Laboratório de musicologia e etnomusicologia da Escola de Música da UFMG – Programa de Pós-Graduação em Música (Linha de pesquisa Música e Cultura) e pelo Grupo de pesquisa Poéticas da Experiência (FAFICH – UFMG)
dias 29 e 30 de outubro. Local: Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte/MG.
“O tema da democratização cultural vem sendo levantado por diferentes frentes nas últimas décadas, revelando, no cenário atual, sérios dilemas em torno do futuro das políticas públicas a seu respeito. Se por um lado pode-se contar com um grande acúmulo de experiências protagonizadas por diferentes setores da sociedade, revelando parcelas antes insondáveis da diversidade de civilizações que partilham espaços sociais e urbanos do Brasil, por outro, as práticas de exclusão étnica e social que marcam a história do país, vêm assumindo outras formas, cada vez mais eficazes, de perpetuação do etnocídio – aqui entendido como o conjunto de mecanismos que destroem os patrimônios imateriais de alguns coletivos humanos. O seminário se propõe a fazer um balanço de parte destas experiências, muitas delas mergulhadas em situações de confronto social – urbano e rural – e colocá-las em discussão no âmbito da Universidade, sugerindo que podemos aprender com elas e apoiá-las, a fim de cumprir o papel de aprofundar as contribuições efetivas dessas experiências com respeito às políticas públicas em torno da democratização cultural.”

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